Manoel Ibrain Lobo Junior
Engenheiro Agrônomo
lobo@pulverizador.com.br
Introdução
A velocidade operacional de um pulverizador na aplicação terrestre é determinada primeiramente em função das condições do relevo da área de aplicação. Não existe um limite a essa velocidade, quanto mais veloz o pulverizador, maior o rendimento operacional e melhor a eficiência dos agroquímicos aplicados no momento oportuno (Timing) para o controle fitossanitário.
Podemos observar por todo o País, diferentes médias de velocidade operacional de pulverizadores em função das possíveis adversidades no relevo da área de aplicação.
No Mato Grosso, nas extensivas áreas planas de soja e algodão, predominam os pulverizadores autopropelidos de alto rendimento que podem chegar a desenvolver até 30 km/h.
Já no Estado de São Paulo a maior parte dos pulverizadores operam em relevos adversos, desenvolvendo pouco rendimento operacional. No Estado de São Paulo a média da velocidade dos pulverizadores gira entre 5 a 6 km/h, já no Mato Grosso a média gira em torno de 14 km/h.
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Áreas Adversas (São Paulo) |
Áreas Planas (Mato Grosso) |
Outro limitante ao desenvolvimento da velocidade na aplicação seria o estágio fisiológico das culturas. Nas aplicações no terço final do ciclo de culturas como a soja, o algodão, a batata e o feijão, o pulverizador vai encontrar o fechamento das entre linhas pelas ramas e folhas dessas plantas, o que vai ser um fator limitante ao desenvolvimento de velocidades maiores de operação.
Objetivando minimizar riscos que comprometam a qualidade da pulverização, o que deve ser feito é um levantamento prévio das possibilidades da velocidade operacional para as aplicações para uma determinada área específica.
Nunca deve ser fixada a velocidade operacional do equipamento em função da máxima velocidade de operação no terreno. A velocidade determinada para a aplicação vai determinar a taxa da aplicação em função do tipo de ponta selecionada. Essa ponta é diretamente ligada a velocidade pré-determinada a ser desenvolvida.
Vejamos o exemplo de uma área de aplicação hipotética abaixo:

Área A corresponde a 10% da área total de aplicação: Limite de 8 km/h
Área B corresponde a 60% da área total de aplicação: Limite de 6 km/h
Área C corresponde a 30% da área total de aplicação: Limite de 5 km/h
Levando-se em consideração os limites da área hipotética, devemos determinar o tipo de ponta a ser utilizada em função das condições climáticas e do tipo do alvo biológico. A velocidade determinada para os cálculos nessa área hipotética deverá ser de 6 km/h.
Essa velocidade foi determinada em função dos 60% de possibilidade operacional da maior área. No caso da área A, a velocidade operacional possível deve ser ignorada e para a área C, que corresponde a 30% da área a ser aplicada, o pulverizador deverá ter reajustado sua pressão de acordo com a diminuição da velocidade limitante para essa área.
Se acaso o produtor calcular o volume de aplicação estabelecendo a velocidade em 6 Km/h, e na área C realizar a operação obedecendo o limite de 5 Km/h, o produtor estará aplicando mais defensivos agrícolas do que foi programado pela formatação do equipamento, acontecendo problemas de sobre-dose na cultura provocando fitotoxidade, desperdício de produto e contaminação ambiental.
Podemos exemplificar esse fato em uma situação hipotética:
Cultura: Feijão
Estágio fisiológico: 35 DAE (dias após emergência)
Alvo biológico: Ferrugem
Velocidade Operacional: 6 Km/h
Ponta de pulverização: "ponta X" 11002
Volume de aplicação: 150 l/ha
Pressão de operação: 3 Bar - 45 PSI
OBS: A "ponta X", seria uma marca comercial de qualquer ponta de pulverização. Sobre a numeração 11002, 110 seria o ângulo de abertura do leque (110 graus) e 02 seria a vazão da ponta em galões por minuto.
O pulverizador operando a velocidade de 6 Km/h utilizando a "ponta X" 11002 a uma pressão de 3 Bar vai aplicar os 150 l/ha pré-determinados.
O pulverizador entra na área C com essa mesma formatação do equipamento. A "ponta X" 11002 a pressão de 3 Bar equipando o pulverizador operando a 5 Km/h, vai aplicar em torno de 200 l/ha, ou seja, o produtor vai aplicar 25% a mais da dose de agroquímico planejada.
Para a "ponta X" 11002 aplicar a taxa pré-estabelecida de 150 l/ha, a pressão do pulverizador deve ser regulada para 2 Bar.
Essa diminuição na pressão é necessária para acompanhar o limite de velocidade dessa nova área. Esse tipo de ajuste na maioria dos pulverizadores é feito manualmente. A falta de conhecimento dos problemas que poderão acontecer faz com que 90% dos produtores mudem constantemente a velocidade do pulverizador durante a aplicação sem realizar o ajuste da pressão necessária para manter o mesmo volume nas diferentes áreas de aplicação.
Funcionamento do Sistema de Controle Eletrônico
Com o controle eletrônico equipando o pulverizador o produtor não precisará mais se preocupar com as mudanças na velocidade do pulverizador que certamente deverão acontecer.
O sistema de controle eletrônico de pulverização ficará responsável por aumentar ou diminuir a pressão, resultando no aumento ou diminuição da vazão das pontas de pulverização em resposta ao aumento ou diminuição da velocidade do pulverizador durante a aplicação dos defensivos agrícolas.
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Pulverizadores autopropelidos equipados com controles eletrônicos |
Geralmente, a resposta de abertura ou fechamento das válvulas é muito rápida, possibilitando mudanças precisas no volume de aplicação, quando acontecer o aumento ou a diminuição da velocidade do pulverizador.
O que deve ser observado é o limite dessa mudança, que não deve ser superior a 25% do volume de aplicação pré-estabelecido. Esse limite de 25% deve ser obedecido com o objetivo do controle eletrônico realizar a mudança do volume de aplicação mais facilmente conforme suas possibilidades de resposta.
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Mapa de Aplicação – VIPER RAVEN |
Por exemplo, em uma pulverização com velocidade pré-estabelecida de 14 km/h, o pulverizador respeitando o limite de 25% de flexibilidade, deverá acontecer mudanças bruscas ao mínimo de 10,5 km/h e ao máximo de 18 km/h.
O que geralmente acontece na maioria das aplicações é a mudança brusca na velocidade de operação acima desse limite de 25%, o que resulta em um "descontrole" por parte do sistema eletrônico de resposta no volume de aplicação.
Em uma mudança de velocidade de 14 km/h para 5 km/h, quando o pulverizador passa por uma linha de nível, por exemplo, o sistema de válvulas do controle perde a precisão na resposta da diminuição do volume de aplicação, comprometendo a qualidade da aplicação dos defensivos agrícolas. Poderão acontecer durante esse descontrole áreas com sub-dose e áreas com sobre-dose de defensivos agrícolas.
O Controle Eletrônico nas Pulverizações
Sem dúvida nenhuma, as novas pontas de pulverização, tem ajudado muito no desenvolvimento da tecnologia de aplicação no Brasil. A utilização dessa nova tecnologia em pontas com deriva reduzida associada com a eletrônica de bordo equipando a maioria dos pulverizadores em áreas com culturas extensivas, têm resultado em melhorias significativas na qualidade das pulverizações por todo o país.
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Controle eletrônico VIPER, Barra de Luz e Receptor GPS |
Já existem no mercado controles eletrônicos de pulverização a preços acessíveis aos pequenos e médios produtores.
Esses equipamentos de última geração, bastante similares aos utilizados nos países mais desenvolvidos, possibilitam aos pulverizadores desenvolver diferentes velocidades durante as aplicações, sem a necessidade de ajustes na regulagem da pressão.
Produtores que utilizam esses controles eletrônicos informam uma economia no custo operacional das aplicações em torno de 30% comparando com pulverizadores sem controle eletrônico em aplicações convencionais.
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