Aplicação Noturna de Agroquímicos

 

Introdução

Algumas vezes, os produtores aplicam durante a noite, ou por motivo de necessitar esgotar a calda no tanque do pulverizador, ou por desejarem finalizar a aplicação em uma determinada área da cultura, um talhão ou uma quadra. Nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá e Austrália, muitos produtores estão fazendo da noite a sua principal janela de aplicação de defensivos agrícolas.

Esses produtores sabem que as épocas de aplicação coincidem com as épocas do ano onde a temperatura é alta, a umidade é baixa e acontecem freqüentes rajadas de vento com velocidades entre 10 e 15 km/h e pancadas de chuva durante todo o dia. Esses produtores sabem também que durante a noite essas adversidades climáticas ocorrem com menor intensidade, ou seja, durante a noite as temperaturas são amenas, a umidade relativa do ar é alta e não existe o problema das rajadas de vento.

Estudos indicam que as aplicações de agroquímicos objetivando o controle químico de plantas daninhas realizadas no período entre as 9 horas da manhã e 7 horas da noite, resultam em um menor efeito biológico quando comparada a aplicações realizadas no período noturno. Esses estudos, na realidade, mostram uma diferença de 40% na taxa de sobrevivência das plantas daninhas quando comparados, o controle químico realizado durante o dia, com o controle químico realizado à noite.

 

Condições favoráveis para a gota

Durante a noite o tempo de vida das gotas da pulverização é maior, pois elas não sofrem perdas por evaporação e não são levadas pelo vento, e com essas vantagens as possibilidades dessas gotas atingirem o alvo biológico são dezenas de vezes maiores.

Uma ponta de pulverização produz diversos tipos de tamanhos de gotas. Quando verificamos em uma pulverização a deposição de gotas produzidas por uma ponta em um papel sensível à água, por exemplo, verificamos manchas nesse papel de vários tamanhos (diâmetros) em porcentagens distintas.

Diferentes tamanhos de gotas em papéis sensíveis à água

Utilizando o software de análise de gotas e-Sprinkle, podemos analisar as gotas depositadas nos papéis sensíveis e calcular as possibilidades de perdas nas pulverizações através do índice PRD.

Para uma pulverização hipotética com uma Porcentagem de Risco de Deriva (PRD) de 32%, ou seja, significa que 32% de todo o volume de aplicação é formado por gotas com tamanhos inferiores a 150 micrômetros.

Se o pulverizador equipado com essas pontas realizar a aplicação no período da manhã ou de tarde, essa porcentagem de 32% com certeza será levada pelo vento ou consumida pela alta temperatura e pela baixa umidade relativa. Esse mesmo equipamento, se realizar durante a noite a aplicação, as perdas por deriva e evaporação não serão significativas.

A escolha do tamanho das gotas leva em consideração o tipo de alvo biológico que pretendemos atingir e as condições climáticas no momento da aplicação. Muitas vezes quando formatamos um avião para realizar aplicações durante o dia a Baixo Volume (aplicar até 50 litros/ha) e não levamos em consideração a temperatura alta e a umidade relativa do ar baixa, o avião poderá na verdade estar aplicando Ultra Baixo Volume (menos de 5 litros/ha), pois as gotas pequenas serão consumidas pelo calor e levadas pelo vento. Essa aplicação não conseguirá, em função das adversidades climáticas, uma cobertura no alvo necessária para conseguir um eficiente efeito biológico.

Essa mesma aplicação aérea a Baixo Volume, se realizada a noite, não teria problemas com a deriva e nem com a evaporação das gotas pequenas.

 

Orvalho X Pulverização

Quando pensamos em pulverizar de noite, imediatamente também pensamos no orvalho que vai estar depositado na superfície das folhas. Devemos pensar no orvalho como um forte aliado às técnicas de aplicação e não como um obstáculo para as aplicações noturnas.

O orvalho é pura água depositada sob forma de gota na superfície das folhas. A quantidade e intensidade de orvalho que vai ser depositado nas folhas e, quando vai começar acontecer este processo, dependerá de fatores como temperatura da superfície da folha e da porcentagem da umidade relativa do ar.

As gotas de orvalho quando depositadas na superfície foliar, mantém uma estreita relação com a folha da planta. Essa relação resulta em benefícios para a aplicação.
Em função da temperatura amena do ar na noite e da alta umidade relativa ocasionada pelo orvalho, a planta entra no estado de relaxamento e nesse estado os estômatos se encontram totalmente abertos, facilitando os mecanismos de absorção de herbicidas pelas plantas daninhas. Também no caso de aplicações objetivando a "proteção de culturas", a absorção de fungicidas e inseticidas sistêmicos pela planta acontece com maior eficiência.

Vale lembrar que, no caso da aplicação de inseticidas de contato, as principais pragas possuem hábito noturno, permanecendo durante boa parte do dia na parte inferior das folhas ou nas folhas do baixeiro das planta, ou até mesmo permanecem escondidas no solo sob a terra, dificultando muito o efeito biológico pelas aplicações convencionais.

 

O Pulverizador

O que muda no pulverizador terrestre para a aplicação noturna, comparando com o convencional são as luzes. Existe a necessidade de aumentar o alcance da visibilidade frontal e lateral para uma melhor segurança de deslocamento da máquina nas operações de aplicação.

É interessante que o operador já tenha aplicado na área durante o dia e, portanto, já tenha um certo conhecimento sobre o relevo do local e saiba da localização dos obstáculos naturais por toda a área, garantindo uma maior segurança na operação.

Nas aplicações aéreas e terrestres, equipamentos como o GPS, garantem ainda mais esta segurança e a precisão nas aplicações noturnas, pois se pode fazer um mapeamento prévio da área georeferenciando locais de interesse, obstáculos naturais e áreas sensíveis.

GPS e Barra de Luzes

Através de um monitor de movimentos (controle eletrônico VIPER) conectado a esse GPS, pode-se conhecer e acompanhar em tempo real e com grande precisão, o pulverizador se deslocando na área de aplicação, identificando todos os obstáculos naturais e tomando as devidas precauções com relação à segurança do equipamento, da equipe operacional e do meio ambiente, durante as aplicações noturnas, tornando-as mais seguras.

Controle Eletrônico VIPER e Mapa da Aplicação

Novas tecnologias já estão à disposição dos aplicadores noturnos facilitando ainda mais as operações, tornando-as mais seguras e com melhor qualidade no controle das pragas e doenças nas culturas.

Podemos destacar como uma dessas novas tecnologias os sistemas de visão noturna, que podem ser utilizados tanto por pilotos agrícolas como também por operadores de pulverizadores terrestres.

Controle Eletrônico VIPER e Mapa da Aplicação


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