Pulverizador Autopropelido

História

Pulverizadores autopropelidos, também chamados de pulverizadores automotrizes ou autopropulsados, são máquinas utilizadas em operações de aplicação de defensivos agrícolas cujas características principais são o alto rendimento operacional e a alta tecnologia em eletrônica de bordo para o preciso e total controle da pulverização.

Muitos produtores nos Estados Unidos, durante a década de 30, adaptavam reservatórios de calda de agroquímicos em seus tratores, objetivando conseguir maior rendimento operacional e maior precisão durante as pulverizações.

No final da década de 40, o comerciante e produtor Ray Hagie visualizando a grande expansão da agricultura americana e a necessidade de equipamentos com maior rendimento operacional, desenvolveu o primeiro pulverizador autopropelido da marca Hagie, o  Modelo A (Hagie Model A) com motor de 8,5 hp e capacidade de carga para 370 litros.

Podemos observar o desenvolvimento tecnológico dos pulverizadores autopropelidos, citando como exemplo o pulverizador autopropelido Hagie, desde a década de 40, com o primeiro Hagie Model 10, até os dias atuais com o pulverizador Hagie STS 16, equipado com barra de pulverização de 40 metros e reservatório para 6.000 litros de calda com agroquímicos.


Hagie Model A (1947)

Hagie STS 16 (2005)

 

Características Operacionais

Pulverizadores autopropelidos são máquinas muito rápidas, de alto desempenho, conseguindo desenvolver velocidades operacionais entre 15 e 30 km/h durante a aplicação de agroquímicos. Em situações extremamente favoráveis, é possível com esses equipamentos conseguir alcançar velocidades operacionais próximas dos 40 km/h.


Pulverizador autopropelido
IBIS 1500

Pulverizador autopropelido
IBIS 2500

A cabine é hermeticamente fechada, impedindo qualquer possibilidade de contaminação do operador por agroquímicos, sendo que a aeração é feita através de filtro de carvão ativado, com tríplice filtragem, proporcionando total segurança ao operador. Visibilidade, espaço, conforto e facilidade no controle dos sistemas eletrônicos são as palavras-chave para esses avançados equipamentos.

Conforto, segurança e visibilidade na cabine dos pulverizadores autopropelidos Hardi Alpha

Uma característica observada e necessária nesses equipamentos é a grande distância do "vão livre" do solo (Ground Clearance), em que na maioria dos pulverizadores autopropelidos é acima de 140 cm, possibilitando realizar aplicações durante todo o ciclo das culturas, até a fase final das aplicações sem provocar danos. O Chassi desses pulverizadores têm estrutura leve e muito resistente. O chassi deve ser o mais flexível possível objetivando suportar e superar as extremas adversidades de terreno.


Pulverizador autopropelido
Rimeco AIRONE 1500

Pulverizador autopropelido
Rimeco AIRONE 2000

As barras de pulverização podem ser instaladas na parte traseira ou na parte frontal dos pulverizadores autopropelidos. As barras de pulverização possuem total acionamento hidráulico com sistema auto-nivelante e medem entre 15 até 48 metros de comprimento.


Rimeco 2000 com
barra trazeira

Hardi Alpha com
barra dianteira

Nos equipamentos mais avançados as barras de pulverização são feitas de alumínio e são equipadas com sistema VORTEX de “Assistência de Ar” e corpos de bicos múltiplos com capacidade para até sete tipos de pontas de pulverização.


Rimeco 1700 com
barra Vortex

Hardi Alpha com
barra Vortex

As barras de pulverização Vortex (Cortina de Ar) possibilitam aos pulverizadores autopropelidos aplicarem defensivos agrícolas nas mais adversas condições climáticas de temperatura alta, umidade relativa do ar baixa, e fortes rajadas de vento com menor risco de perdas por deriva, pois a “cortina de ar” empurra as gotas para baixo, melhorando a distribuição e penetração nas diversas partes das plantas.

Comparativo de distribuição das gotas entre a Barra Vortex e Convencional

 

Tecnologia GPS e Sistemas Eletrônicos

As mais avançadas tecnologias em sistemas eletrônicos equipam esses grandes pulverizadores. Controles eletrônicos de pulverização e tecnologia GPS (navegação satelital - balizamento eletrônico) conferem a esses equipamentos a possibilidade de aplicar o defensivo agrícola no momento certo e rápido com a máxima precisão, objetivando o maior efeito biológico com o mínimo de poluição ambiental.


Controle Eletrônico Viper e
Mapa da Aplicação

Receptor GPS e Barra de Luz

Pulverizadores autopropelidos equipados com controle eletrônico Viper

Na ilustração abaixo, podemos observar a precisão e a segurança nas aplicações com os pulverizadores autopropelidos equipados com GPS e toda a eletrônica de monitoramento para o registro e armazenamento dos dados referentes à aplicação.

1) Sistemas eletrônicos de navegação satelital GPS (Global Positioning System) conectados aos computadores de bordo dos pulverizadores autopropelidos possibilitam aplicações de agroquímicos 24 horas por dia.

2) O controle eletrônico de pulverização VIPER conectado ao GPS possibilita a máxima precisão na operação, monitorando e mapeando toda a operação de aplicação, criando um banco de informações digitalizadas que serão processadas e analisadas posteriormente a cada aplicação.

3) O pulverizador autopropelido equipado com sistema de injeção direta de agroquímicos conectado ao GPS, possibilita a aplicação dos produtos em locais específicos em doses diferenciadas. Uma estação meteorológica instalada no pulverizador monitora as condições de vento, temperatura e umidade do ar no local da aplicação, alterando o tamanho das gotas, através de sistemas automáticos de mudança das pontas de pulverização, objetivando a superação de possíveis adversidades climáticas no momento da aplicação.

4) A base de processamento de dados, em tempo real, acompanha e monitora toda a operação de aplicação do pulverizador autopropelido, recebendo e enviando informações (conexão via satélite) durante o desenvolvimento dos trabalhos de aplicação.

5) Através do sistema de comunicação satelital é possível acompanhar todo o desenvolvimento das operações de aplicação pela tela de um notebook. As estratégias das aplicações poderão ser modificadas pelo produtor ou pelo responsável pela operação estando na fazenda, em seu escritório, em sua casa ou em viagem.

 

Novas Tecnologias

Novas tecnologias já estão no mercado para tornar os pulverizadores autopropelidos ainda mais eficientes e precisos nas operações de aplicação de agroquímicos. Dentre essas tecnologias podemos citar os sistemas de injeção direta de agroquímicos, pilotagem automática do equipamento na aplicação, sensores para detecção de plantas daninhas, sensores para aplicação de nitrogênio, sensores para controle da altura da barra de pulverização e sistemas eletrônicos para seleção de pontas de pulverização em função das mudanças climáticas.

Acessórios como o protetor de plantas, ou "abre plantas", podem equipar os pulverizadores autopropelidos, facilitando o deslocamento em culturas muito adensadas. Esses acessórios protegem as plantas contra possíveis danos na cultura provocados pelos pneus. São facilmente instalados e muito resistentes. Esses equipamentos operam em regiões do cerrado brasileiro onde existe a necessidade da tração 4X4 em função da ocorrência de chuvas quase diariamente no período da tarde, tornando o terreno muito escorregadio, dificultando as operações.

 

Potencial de Mercado no Brasil

Estima-se que o mercado potencial no Brasil para pulverizadores autopropelidos seja de 10.000 unidades. Atualmente no Brasil existem cerca de 4.500 pulverizadores autopropelidos em operação. Estimasse que 20% desses equipamentos já estejam sucateados. A renovação desses pulverizadores é realizada entre 3 a 6 anos.

Desse mercado potencial, estima-se que 40% deverão desenvolver operações de aplicação no Estado do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, 15% nas extensivas lavouras de algodão e soja dos Estados que fazem parte do "Corredor Norte de Exportação da Soja", 10% no estado da Bahia e o restante nos estados de São Paulo (cana-de-açúcar) as áreas irrigadas por pivot central (SP e MG).

Os números mencionados acima estão atrelados a áreas extensivas dos Estados.

Essa estimativa de equipamentos operando nesses Estados vai depender de variáveis como:

1. A exploração de mais áreas agricultáveis em Mato Grosso (atualmente 40% dessa área é explorada) e nos outros Estados;

2. A concorrência de outras novas empresas fabricantes e importadoras que pretendem comercializar seus equipamentos no País.

 

Informações sobre o autor:

Manoel Ibrain Lobo Junior

  • Engenheiro Agrônomo, consultor e especialista em tecnologia de aplicação de agroquímicos.

  • Ministra cursos, treinamentos e palestras sobre tecnologia de aplicação aérea e terrestre.

  • Realiza avaliações de pulverizadores, aeronaves agrícolas e análise de risco de perdas por deriva nas pulverizações.

  • Desenvolve projetos de monitoramento da qualidade das aplicações de agroquímicos e adequação dos pulverizadores de acordo com as normas internacionais do protocolo GlobalGAP (Boas Práticas Agrícolas).

  • Professor do Curso de Pilotos Agrícolas da EJ Escola de Aeronáutica Civil Ltda. (www.ej.com.br), ministrando as matérias “Tecnologia de Aplicação Aérea”, “Planejamento Operacional”, “Usos Especiais da Aviação Agrícola”, “Regulagem e Calibração de Aeronaves Agrícolas”, dentre outras.

  • Consultor Técnico-Comercial para diversas empresas fabricantes de pulverizadores, fabricantes de bicos de pulverização, controles eletrônicos de pulverização, componentes de barras, acessórios para monitoramento da qualidade das pulverizações e outros.

  • Consultor da empresa Kraüss Aeronáutica (www.kraussaero.com.br), fabricante nacional de aviões agrícolas, fazendo parte da equipe técnica de desenvolvimento do projeto do novo avião agrícola KA-01.

  • É auditor GlobalGAP IFA - Instituto Genesis – IGCert (www.institutogenesis.org.br), membro do GlobalGAP National Technical Working Group (GlobalGAP NTWG).

Engº Agrº Manoel Ibrain Lobo Júnior - Consultor em Tecnologia de Aplicação
lobo@pulverizador.com.br - (+ 55 19) 9724 0827 - Skype: manoel.lobo